Atualizado em agosto de 2026
Quanto deves cobrar por hora quando trabalhas a recibos verdes?
10€? 15€? 20€? 30€? 50€?
É uma pergunta aparentemente simples, mas copiar o preço de outro freelancer é uma das formas mais rápidas de trabalhares muito e descobrires, meses depois, que estás praticamente a ganhar o salário mínimo por hora.
Quem trabalha por conta própria tem de suportar as suas próprias contribuições para a Segurança Social e tratar das obrigações de IRS e IVA correspondentes ao seu enquadramento.
Além disso, há horas que nunca chegam a um cliente:
responder a emails, procurar clientes, fazer propostas, faturar, organizar documentos, aprender, corrigir trabalho, tratar do e-Fatura ou simplesmente esperar por pagamentos.
É por isso que:
1 hora de trabalho não é necessariamente 1 hora faturável.
Neste guia vais aprender a calcular um preço por hora que tenha em conta aquilo que realmente precisas de ganhar.
Resposta rápida: quanto cobrar por hora em Portugal?
Não existe uma tabela oficial de preços para freelancers em geral.
Um preço sustentável depende de:
- quanto queres retirar mensalmente para ti;
- despesas da atividade;
- número de horas que consegues efetivamente faturar;
- férias e períodos sem clientes;
- Segurança Social;
- IRS;
- IVA, quando aplicável;
- experiência e especialização;
- risco do projeto;
- valor que o teu trabalho gera para o cliente.
Mas podemos criar uma boa referência.
Um freelancer que quer obter aproximadamente 1.200€ a 1.500€ por mês para viver dificilmente deve partir do princípio de que basta cobrar:
1.500€ ÷ 160 horas = 9,38€/hora.
Essa conta ignora quase tudo o que distingue um trabalhador independente de alguém que recebe um salário.
Porque dividir o rendimento por 160 horas dá um resultado enganador
Imagina que queres obter:
1.500€ por mês
Fazes:
1.500€ ÷ 160 = 9,38€/hora
E decides cobrar:
10€/hora
Parece razoável.
Mas as 160 horas mensais não vão necessariamente ser pagas por clientes.
Durante essas horas também podes estar a:
- procurar trabalho;
- responder a potenciais clientes;
- preparar propostas;
- emitir faturas;
- cobrar pagamentos atrasados;
- fazer reuniões comerciais;
- organizar despesas;
- atualizar portefólio;
- aprender novas ferramentas;
- resolver problemas técnicos.
Se apenas 60% das tuas horas acabarem faturadas, 160 horas de trabalho transformam-se em:
96 horas faturáveis.
A 10€/hora:
96 × 10€ = 960€ faturados
E ainda não retiraste Segurança Social, IRS nem despesas.
Percebes rapidamente o problema.
Primeiro decide quanto queres realmente ganhar
Não comeces pela pergunta:
“Quanto cobra a concorrência?”
Começa por:
“Quanto preciso que esta atividade produza para valer a pena?”
Imagina que queres conseguir retirar:
1.400€ por mês
Poderias simplesmente fazer:
1.400€ × 12 = 16.800€
Mas existe uma maneira mais prudente de pensar como freelancer.
Se quiseres criar para ti algo semelhante a:
- 12 meses normais;
- um valor equivalente a subsídio de férias;
- um valor equivalente a subsídio de Natal,
podes estabelecer como objetivo pessoal:
1.400€ × 14 = 19.600€ por ano
Não significa que a lei obrigue os teus clientes a pagar-te 14 meses. É apenas uma estratégia de formação de preço para evitar que as férias ou o Natal sejam financiados à custa das contas dos outros meses.
Trabalhador independente recebe subsídio de férias e de Natal?
Um freelancer que presta serviços como verdadeiro trabalhador independente não recebe automaticamente do cliente os direitos associados a um contrato de trabalho.
No trabalho por conta de outrem, a legislação laboral prevê férias remuneradas e subsídio de férias.
Quem trabalha por conta própria deve, por isso, refletir esses períodos no próprio preço.
É uma das grandes diferenças entre pensar:
“quero ganhar 1.400€ por mês”
e pensar:
“o meu negócio tem de gerar o suficiente para eu conseguir viver com 1.400€ por mês durante o ano inteiro”.
A fórmula mais simples para calcular o teu preço por hora
Podes começar com esta fórmula:
Preço/hora = faturação anual necessária ÷ horas faturáveis anuais
Parece simples.
A dificuldade está em calcular corretamente as duas partes.
PASSO 1: calcula quanto dinheiro precisas para ti
Vamos criar um exemplo.
Queres ter:
1.400€ por mês
Considerando 14 equivalentes mensais:
1.400€ × 14 = 19.600€
Objetivo pessoal anual:
19.600€
Ainda não terminámos.
PASSO 2: acrescenta as despesas da atividade
Imagina que pagas:
| Despesa | Valor anual |
|---|---|
| Internet/telemóvel profissional | 480€ |
| Software | 600€ |
| Computador/equipamento | 600€ |
| Domínio, alojamento e ferramentas | 240€ |
| Contabilidade/serviços | 480€ |
| Formação | 300€ |
| Total | 2.700€ |
Agora precisas de produzir pelo menos:
19.600€ + 2.700€ = 22.300€
E ainda faltam impostos e contribuições.
PASSO 3: não ignores a Segurança Social
A taxa contributiva dos trabalhadores independentes é atualmente 21,4%. Nas prestações de serviços, o rendimento relevante corresponde normalmente a 70% dos rendimentos, o que permite utilizar como referência aproximada:
70% × 21,4% = 14,98% da faturação
numa situação típica, antes de isenções, ajustamentos ou regimes especiais.
Assim:
1.000€ faturados → cerca de 149,80€ de contribuição
como referência simplificada.
É precisamente por isso que não podes definir preços olhando apenas para aquilo que queres colocar na conta pessoal.
PASSO 4: cria também uma reserva para IRS
O IRS é mais difícil de incorporar numa fórmula universal.
Não existe uma taxa única para todos os trabalhadores independentes.
O resultado depende, entre outros fatores, de:
- rendimento anual;
- outros rendimentos;
- agregado familiar;
- deduções;
- coeficiente da atividade;
- retenções já efetuadas;
- regime simplificado ou contabilidade organizada.
Além disso, a retenção na fonte não corresponde necessariamente ao imposto final.
Existem situações em que os rendimentos de Categoria B podem beneficiar de dispensa de retenção quando se prevê um montante anual inferior a 15.000€, cumpridas as condições legais; deixar de fazer retenção não significa ficar isento de IRS.
Por isso, para definir preços, interessa mais criar uma margem de segurança do que fingir que todos pagam a mesma percentagem de IRS.
Uma regra prática para organizar o dinheiro
Imagina que recebes:
1.000€
Não olhes imediatamente para os 1.000€ como dinheiro disponível.
Podes criar contas ou “envelopes” separados para:
Segurança Social
IRS
IVA, se aplicável
Despesas profissionais
Férias e períodos sem clientes
Rendimento pessoal
Não existe uma percentagem universal que funcione para todos, mas separar o dinheiro logo quando o recebes é muito mais seguro do que esperar pelo pagamento dos impostos e descobrir que já o gastaste.
PASSO 5: calcula quantas semanas queres realmente trabalhar
Um ano tem 52 semanas.
Mas contar com:
52 semanas faturáveis
é pouco realista.
Imagina que reservas:
4 semanas para férias
e
2 semanas para doença, feriados, formação ou imprevistos.
Ficam:
46 semanas de atividade
Já estamos muito mais perto da realidade.
PASSO 6: quantas horas por semana consegues faturar?
Esta é provavelmente a parte mais importante da conta.
Imagina que trabalhas:
40 horas por semana
Não significa que consigas faturar 40.
Talvez tenhas:
5 horas de administração
4 horas de procura de clientes
3 horas de reuniões não faturadas
3 horas de formação e organização
Sobram:
25 horas faturáveis
por semana.
Em 46 semanas:
25 × 46 = 1.150 horas faturáveis por ano
Agora já temos uma base muito mais realista.
Um exemplo completo
Vamos criar uma profissional freelancer que quer:
1.400€ × 14 = 19.600€ para si
Despesas anuais:
2.700€
Antes de criar margem para impostos, risco e períodos sem clientes, já precisa de:
22.300€
Imagina que define como objetivo de faturação:
30.000€ anuais
E consegue faturar:
1.150 horas por ano
Conta:
30.000€ ÷ 1.150 = 26,09€/hora
Ou seja:
cerca de 26€/hora
seria apenas um ponto de partida.
Não seria absurdo trabalhar comercialmente com:
30€/hora
para criar alguma margem para imprevistos, tempo não previsto e crescimento.
Porque 30€/hora pode não significar ganhar 30€/hora
Esta diferença é fundamental.
Um cliente pode pagar:
30€/hora
Mas isso não significa que tenhas um salário líquido de 30€/hora.
Desse valor saem:
- contribuições;
- IRS;
- equipamento;
- software;
- Internet;
- seguros;
- períodos sem trabalho;
- administração;
- prospeção;
- férias;
- risco de clientes que atrasam pagamentos.
O preço da hora é receita da atividade.
Não é salário líquido.
Quanto acontece se cobrares apenas 10€/hora?
Imagina:
20 horas faturáveis por semana
durante:
46 semanas
Tens:
920 horas faturadas
A:
10€/hora
Faturação anual:
9.200€
Média mensal:
766,67€
antes de despesas, Segurança Social e IRS.
Pode funcionar se isto for apenas um pequeno rendimento complementar.
Como atividade principal, torna-se extremamente difícil obter um rendimento confortável.
E a 15€/hora?
Mesmas 920 horas:
920 × 15€ = 13.800€
Média mensal:
1.150€ faturados
Novamente:
não são 1.150€ líquidos.
Se estiveres sujeito às contribuições normais como prestador de serviços, só a referência aproximada de Segurança Social pode representar perto de 14,98% da faturação.
E a 25€/hora?
920 × 25€ = 23.000€ anuais
Média:
1.916,67€ faturados por mês
Já existe muito mais espaço para suportar contribuições, despesas e períodos sem faturação.
E a 40€/hora?
920 × 40€ = 36.800€
Média mensal:
3.066,67€ de faturação
Naturalmente, conseguir cobrar 40€/hora depende do serviço, experiência, clientes e valor gerado.
A solução não é simplesmente aumentar a tabela de preços amanhã.
É desenvolver uma atividade capaz de justificar esse preço.
Comparação rápida
Considerando 20 horas faturáveis por semana durante 46 semanas:
| Preço/hora | Faturação anual | Média mensal faturada |
|---|---|---|
| 10€ | 9.200€ | 767€ |
| 15€ | 13.800€ | 1.150€ |
| 20€ | 18.400€ | 1.533€ |
| 25€ | 23.000€ | 1.917€ |
| 30€ | 27.600€ | 2.300€ |
| 40€ | 36.800€ | 3.067€ |
| 50€ | 46.000€ | 3.833€ |
Estes valores são faturação, não rendimento líquido.
Quero ganhar 1.000€ líquidos. Quanto tenho de cobrar?
Aqui não existe uma resposta exata sem conhecer a tua situação fiscal.
Mas podemos perceber porque cobrar apenas o equivalente ao objetivo líquido costuma ser insuficiente.
Imagina que queres retirar:
1.000€ por mês
e consegues faturar:
80 horas por mês
A conta ingénua seria:
1.000€ ÷ 80 = 12,50€/hora
Mas 12,50€/hora não deixa praticamente margem para:
- Segurança Social;
- IRS;
- despesas;
- férias;
- equipamento;
- períodos sem clientes.
Se, em vez disso, estabeleceres como objetivo de faturação:
1.600€ mensais
para as mesmas 80 horas:
1.600€ ÷ 80 = 20€/hora
Já tens uma estrutura mais sustentável.
Quero ganhar 1.500€ por mês
Vamos fazer uma versão mais completa.
Objetivo pessoal:
1.500€ × 14 = 21.000€ por ano
Custos profissionais:
3.000€
Total inicial:
24.000€
Agora acrescentas margem para contribuições, IRS, risco e períodos menos produtivos.
Poderias descobrir que precisas de faturar, por exemplo:
32.000€ a 36.000€ por ano
dependendo da tua situação.
Se tiveres:
1.000 horas faturáveis anuais
terias de trabalhar aproximadamente entre:
32€ e 36€/hora
para alcançar esse volume.
Isto não é uma tabela fiscal oficial. É uma simulação de formação de preço.
Não sabes quantas horas faturáveis tens? Mede durante um mês
Durante quatro semanas, regista o tempo.
Divide-o em duas colunas:
Faturável
- executar serviço;
- projeto do cliente;
- consultoria;
- reuniões cobradas.
Não faturável
- emails;
- propostas;
- marketing;
- contabilização;
- faturação;
- organização;
- formação;
- procura de clientes.
No fim do mês calcula:
Taxa de utilização = horas faturáveis ÷ horas totais
Exemplo
Trabalhaste:
150 horas
Faturaste:
90
Taxa:
90 ÷ 150 = 60%
Agora já tens um número real para calcular o preço.
E se trabalhares apenas como rendimento extra?
Aqui a lógica pode ser diferente.
Imagina que tens um emprego e apenas disponibilizas:
8 horas por semana
para freelancing.
Como o teu tempo é muito limitado, não faz necessariamente sentido cobrar menos.
Aliás, pode fazer exatamente o contrário.
Se só tens:
30 horas por mês
disponíveis e o trabalho independente te obriga a sacrificar noites ou fins de semana, essas horas podem ter um valor bastante elevado para ti.
Além disso, a acumulação de trabalho dependente e independente tem regras específicas de Segurança Social. Em determinadas condições, o trabalhador pode ficar isento das contribuições da atividade independente quando o rendimento relevante médio fica abaixo de quatro IAS. Em 2026, o IAS é 537,13€.
Isso pode alterar bastante a tua estrutura de custos.
Cobrar à hora ou cobrar por projeto?
Nem todos os serviços devem ser vendidos à hora.
Imagina que criaste uma automatização que poupa a uma empresa:
10 horas por semana.
Depois de muita experiência, consegues fazer o trabalho em:
5 horas.
Se cobrares:
30€/hora
recebes:
150€
Mas o cliente pode obter milhares de euros de valor ao longo do ano.
Nesse cenário pode fazer mais sentido cobrar:
por projeto ou por valor entregue.
Quando cobrar à hora faz sentido?
É particularmente útil quando:
- o âmbito é imprevisível;
- o cliente pode pedir alterações frequentes;
- vais prestar acompanhamento contínuo;
- não sabes quanto tempo será necessário;
- existe consultoria;
- existem reuniões e apoio recorrente.
Quando cobrar por projeto pode ser melhor?
Quando:
- sabes estimar bem o trabalho;
- tens um resultado concreto;
- és eficiente;
- o cliente quer previsibilidade;
- o valor entregue é mais importante do que o número de horas.
Exemplo
Projeto estimado:
20 horas
Taxa interna mínima:
30€/hora
Custo-base:
600€
Adicionas uma margem de 20% para alterações e risco:
720€
Podes apresentar:
750€ pelo projeto
em vez de dizer:
“30€ por hora”.
Não ofereças todas as reuniões
Um erro muito comum no início é considerar apenas aquilo que acontece “no computador”.
Mas imagina um projeto de:
10 horas de execução
com:
3 reuniões de uma hora
e
2 horas de emails e alterações.
Tempo real:
15 horas
Se cobraste 300€ porque pensavas:
10 × 30€ = 300€
o teu preço real foi:
300€ ÷ 15 = 20€/hora
Perdeste um terço da taxa sem perceber.
Acrescenta sempre uma margem para revisões
Num projeto fechado, define claramente:
- o que está incluído;
- quantas revisões;
- prazo;
- entregáveis;
- preço de alterações extra.
Por exemplo:
Inclui duas rondas de alterações.
A terceira poderá ser cobrada à tua taxa horária.
Isto evita o clássico projeto de 500€ que acaba por consumir trabalho equivalente a 900€.
O IVA entra no preço ou é acrescentado?
Depende do teu enquadramento.
Se estás abrangido pelo regime de isenção do artigo 53.º, podes não liquidar IVA nas operações abrangidas, cumpridas as respetivas condições.
Se estiveres no regime normal, tens de tratar o IVA de acordo com as regras aplicáveis.
Por isso, quando envias uma proposta, deixa claro se o valor é:
“X€ + IVA à taxa legal aplicável”
ou se o enquadramento da operação não envolve liquidação de IVA.
Não confundas o IVA cobrado com rendimento teu.
Um preço de 500€ + IVA não significa que ganhaste tudo o que entrou
Imagina um serviço:
500€ + 23% de IVA
Total:
615€
Os 115€ de IVA não representam remuneração pela tua atividade.
É precisamente por isso que o dinheiro correspondente a IVA deve ser separado do dinheiro disponível para despesas pessoais.
Retenção na fonte também não é uma comissão do cliente
Se o recibo estiver sujeito a retenção, o cliente pode entregar uma parte do valor diretamente ao Estado em teu nome.
A retenção funciona como pagamento antecipado de IRS, não como desconto comercial.
A AT confirma que, quando existe obrigação de retenção em rendimentos de Categoria B, esta ocorre no momento do pagamento ou colocação à disposição, nas situações legalmente previstas.
Portanto, se um projeto custa:
1.000€
e existe retenção:
o preço continua a ser 1.000€.
O facto de não entrarem os 1.000€ integralmente na conta naquele momento não significa que baixaste o preço.
Nunca baixes o preço sem baixar alguma coisa no serviço
O cliente diz:
“O orçamento é 600€, mas só temos 400€.”
Uma resposta comercial muito melhor do que simplesmente retirar 200€ é reduzir o âmbito.
Por exemplo:
600€
- estratégia;
- execução;
- 3 versões;
- 2 reuniões.
400€
- execução;
- 1 versão;
- 1 reunião.
Assim o cliente continua a poder escolher uma opção mais barata, mas tu não ensinas o mercado a esperar exatamente o mesmo trabalho por menos dinheiro.
Cria três preços em vez de um
Uma estratégia simples:
Essencial
350€
Resultado principal, poucas revisões.
Completo
550€
Mais funcionalidades, acompanhamento e revisões.
Premium
800€
Execução completa, prioridade e apoio adicional.
Muitos clientes deixam de perguntar:
“Faço ou não faço?”
e passam a perguntar:
“Qual destes três escolho?”
É uma alteração pequena que pode melhorar bastante a forma como apresentas os teus serviços.
Quando deves aumentar os preços?
Há alguns sinais bastante claros:
Estás constantemente sem disponibilidade
Se tens mais procura do que capacidade, o preço pode estar demasiado baixo.
Quase ninguém questiona o preço
Não significa necessariamente que devas subir, mas se 100% dos clientes aceitam imediatamente, vale a pena testar.
Melhoraste muito
O preço de quando tinhas seis meses de experiência não tem de ser o preço de quando tens cinco anos.
O serviço passou a produzir mais valor
Se antes fazias pequenas tarefas e agora resolves problemas importantes, o preço deve acompanhar essa evolução.
As despesas aumentaram
Software, equipamento e serviços aumentam os custos do negócio.
Quanto aumentar?
Não tens de duplicar de um dia para o outro.
Podes testar novos clientes com:
+10%
ou
+15%
e acompanhar a resposta.
Se cobravas:
25€/hora
um aumento de 10% dá:
27,50€
Podes simplesmente passar para:
28€/hora
ou
30€/hora
para novos clientes.
Clientes antigos têm de pagar imediatamente o novo preço?
É uma decisão comercial.
Uma opção é manter temporariamente o preço anterior e comunicar:
A partir de determinada data, a minha tabela será atualizada.
Outra é atualizar apenas novos projetos.
O importante é não ficares preso durante anos a um preço que já não cobre os teus custos.
Calculadora rápida de preço/hora
Faz estas cinco contas.
1. Quanto queres retirar por ano?
Exemplo:
21.000€
2. Quanto gastas na atividade?
Exemplo:
3.000€
Subtotal:
24.000€
3. Define o objetivo de faturação necessário
Depois de considerares impostos, contribuições, risco e margem:
Exemplo:
34.000€
4. Quantas horas consegues faturar?
Exemplo:
22 horas semanais × 46 semanas = 1.012 horas
5. Divide
34.000€ ÷ 1.012 = 33,60€
Preço mínimo arredondado:
35€/hora
Podes depois ajustar ao mercado, especialização e valor do serviço.
O preço mínimo e o preço comercial não têm de ser iguais
Imagina que a conta diz:
mínimo: 27€/hora
Não significa que o teu preço tem obrigatoriamente de ser 27€.
Pode ser:
30€
35€
40€
O cálculo serve sobretudo para descobrir:
abaixo de que valor deixas de ter um negócio sustentável.
Depois, o mercado e o valor do serviço determinam quanto acima desse mínimo consegues cobrar.
Exemplo completo: freelancer que quer viver exclusivamente disto
Objetivo pessoal:
1.500€ × 14 = 21.000€
Despesas:
3.500€
Reserva para crescimento/equipamento:
1.500€
Subtotal:
26.000€
Depois de considerar contribuições, impostos e margem de segurança, estabelece uma meta de faturação de:
36.000€
Trabalha:
46 semanas
Horas faturáveis:
22 por semana
Total:
1.012 horas
Preço necessário:
36.000€ ÷ 1.012 ≈ 35,57€/hora
Poderia então definir:
36€ a 40€/hora
como referência comercial.
Exemplo: rendimento extra depois do trabalho
Agora alguém que já tem emprego.
Quer ganhar mais:
500€ por mês
e só tem:
25 horas faturáveis mensais.
Se cobrar:
10€/hora
fatura:
250€
Não chega.
A:
20€/hora
fatura:
500€
Mas esses 500€ são faturação, não necessariamente rendimento líquido.
Se quiser realmente obter cerca de 500€ disponíveis, terá provavelmente de faturar mais.
Uma taxa de:
25€ ou 30€/hora
pode ser muito mais coerente dependendo da sua situação fiscal.
10 erros que fazem freelancers cobrar demasiado pouco
1. Dividir o salário desejado por 160 horas
Ignora as horas não faturáveis.
2. Não contar férias
Se não trabalhas, normalmente não estás a faturar.
3. Esquecer a Segurança Social
Os trabalhadores independentes são responsáveis pelas próprias contribuições.
4. Confundir faturação com salário
São conceitos completamente diferentes.
5. Esquecer despesas
Computador, software e Internet não aparecem magicamente.
6. Não cobrar reuniões e alterações
O projeto pode consumir muito mais tempo do que a execução inicial.
7. Copiar preços de outra pessoa
Não sabes os custos, experiência ou situação fiscal dela.
8. Cobrar menos porque trabalhas depressa
Ser eficiente não deve ser uma penalização.
9. Nunca atualizar preços
Cinco anos com a mesma tabela significa muitas vezes uma redução real da margem.
10. Definir o preço pela coragem que tens de pedir
O preço deve resultar de contas e posicionamento, não do desconforto em falar de dinheiro.
Perguntas frequentes
Quanto deve cobrar um freelancer por hora em Portugal?
Não existe um valor universal. O preço deve resultar da faturação necessária, horas realmente faturáveis, despesas, contribuições, impostos, experiência e valor entregue ao cliente.
10€ por hora é pouco?
Depende da situação, mas como atividade principal pode tornar-se difícil porque 10€ faturados não correspondem a 10€ líquidos e nem todas as horas de trabalho serão faturáveis.
Como calculo o meu preço mínimo?
Uma boa fórmula inicial é:
faturação anual necessária ÷ horas faturáveis anuais.
Depois acrescenta margem para risco e crescimento.
Devo incluir férias?
Sim, na tua formação de preço é prudente considerar períodos em que não vais faturar. Como trabalhador independente, és tu que tens de criar essa margem financeira.
Tenho de considerar Segurança Social?
Sim. Os trabalhadores independentes pagam as próprias contribuições; a taxa geral é 21,4%, sendo o rendimento relevante calculado segundo as regras aplicáveis.
E IRS?
Também. O imposto final depende da situação anual do contribuinte, pelo que não existe uma percentagem única que devas acrescentar a todos os preços.
Se fizer retenção na fonte estou a receber menos?
Recebes menos imediatamente, mas a retenção é um pagamento por conta do IRS, não uma redução do preço do teu serviço.
O IVA faz parte do meu rendimento?
Não deves tratar o IVA liquidado ao cliente como rendimento disponível.
É melhor cobrar à hora ou por projeto?
À hora funciona bem em trabalhos imprevisíveis e acompanhamento. Por projeto pode ser mais interessante quando conheces bem o âmbito e consegues vender o resultado em vez do tempo.
Posso cobrar 50€/hora?
Não existe um teto geral para um freelancer definir o preço de um serviço privado. A questão comercial é saber se o teu mercado e o valor entregue justificam esse preço.
Conclusão
Se trabalhas a recibos verdes, não perguntes apenas:
“Quanto cobro por hora?”
Pergunta:
“Quanto tem a minha atividade de faturar por ano para eu conseguir viver como quero?”
Depois calcula:
objetivo pessoal anual
- despesas profissionais
- contribuições e impostos
- férias
- tempo não faturável
- margem para imprevistos e crescimento
e só depois divide pelas horas que consegues realmente vender a clientes.
Uma pessoa que quer retirar 1.500€ por mês pode descobrir que não precisa de cobrar:
9€ ou 10€/hora
mas sim:
30€, 35€ ou até mais
dependendo da atividade.
E isso não significa estar a cobrar demasiado.
Significa perceber que:
faturação não é salário.
O objetivo de um negócio sustentável não deve ser conseguir pagar as contas apenas quando tens todos os dias preenchidos por clientes.
Deve ser conseguir pagar:
as contas, os impostos, as férias, os períodos fracos e ainda ter margem para continuar a crescer.



