Atualizado em agosto de 2026

Durante muito tempo, as tarifas indexadas de eletricidade foram apresentadas como uma das formas mais económicas de pagar a luz.

E em muitos períodos foram mesmo.

O problema é que uma tarifa indexada tem uma característica que é simultaneamente a sua maior vantagem e o seu maior risco:

o preço pode mudar bastante de um mês para o outro.

Em agosto de 2026, com o verão em pleno e maior pressão sobre o mercado elétrico, análises recentes do mercado português indicaram uma forte subida dos preços das ofertas indexadas. Em alguns perfis de consumo simulados, estas chegaram a ficar mais caras do que várias tarifas de preço fixo e até do que o mercado regulado.

Isto não significa que todas as tarifas indexadas sejam más.

Significa outra coisa:

se tens eletricidade indexada, não deves assumir que continua a ser a solução mais barata apenas porque era barata há três ou seis meses.

E há uma forma muito simples de verificar.

A ERSE disponibiliza gratuitamente um simulador que reúne as ofertas comerciais disponíveis no mercado português e permite comparar o teu contrato com outras opções.

Simulador oficial de preços de energia da ERSE


Resposta rápida

Se a tua eletricidade estiver numa tarifa indexada, o preço da energia acompanha a evolução do mercado grossista e pode variar mensalmente.

Em agosto de 2026, esta volatilidade tornou algumas ofertas indexadas menos competitivas para determinados perfis de consumo.

Antes de mudares de fornecedor, faz estas quatro verificações:

  1. vê na fatura quanto estás a pagar por kWh;
  2. confirma se o contrato é fixo ou indexado;
  3. compara a tua fatura com a tarifa regulada;
  4. utiliza o simulador oficial da ERSE.

E não ignores a potência contratada, porque em muitos casos também existe dinheiro a poupar aí.


O que é afinal uma tarifa indexada?

No mercado livre existem diferentes formas de calcular o preço da eletricidade.

Uma das principais diferenças é entre:

Tarifa de preço fixo

O preço da energia definido no contrato mantém-se estável durante o período previsto, salvo alterações contratuais devidamente comunicadas.

Tarifa indexada

O preço varia em função da evolução do mercado grossista de eletricidade e da fórmula definida pelo comercializador.

A própria ERSE explica que é importante distinguir estas duas modalidades:

preços fixos garantem um determinado preço por kWh durante o contrato;

preços indexados variam mensalmente consoante o mercado grossista.

É precisamente por isso que uma tarifa indexada pode ser extremamente barata durante alguns meses e tornar-se menos interessante noutros.


Porque ficaram algumas tarifas indexadas mais caras em agosto?

As tarifas indexadas acompanham, direta ou indiretamente, o custo da energia nos mercados grossistas.

Quando esse mercado sobe, o preço cobrado ao consumidor também tende a aumentar.

Uma análise do mercado energético português atualizada em agosto apontou para uma subida acentuada do custo das ofertas indexadas durante o verão, colocando-as acima de opções fixas em vários perfis analisados.

Isto é especialmente relevante no verão porque:

  • existe maior utilização de ar condicionado;
  • alguns períodos de calor aumentam a procura de eletricidade;
  • o mercado energético internacional continua volátil;
  • o preço indexado reage mais rapidamente às mudanças do mercado.

Mas atenção:

isto não significa que uma tarifa indexada será sempre mais cara daqui para a frente.

Se o mercado grossista voltar a cair, pode voltar a tornar-se muito competitiva.

É precisamente esta incerteza que tens de aceitar quando escolhes este tipo de contrato.


Quanto pode ser a diferença?

Uma comparação de mercado atualizada a 10 de agosto de 2026 apresentou um exemplo interessante.

Para um perfil de consumo reduzido, com cerca de 160 kWh por mês e potência de 3,45 kVA, a simulação apresentava aproximadamente:

OpçãoCusto mensal estimado
Oferta mais barata30,67€
Mercado regulado32,22€
Tarifa indexada analisada41,70€
Oferta mais cara42,51€

Ou seja, nesse exemplo:

41,70€ - 30,67€ = 11,03€ por mês

de diferença.

Num ano:

132,36€

A simulação é apenas um retrato de determinadas ofertas e condições num determinado momento, não uma regra universal.

Mas demonstra porque é que vale a pena comparar.


E numa família com consumo elevado?

O mesmo levantamento utilizou também um perfil de consumo elevado, próximo de 908 kWh por mês, com potência contratada de 13,8 kVA.

Os valores estimados foram:

OpçãoCusto mensal
Oferta mais barata162,88€
Mercado regulado171,59€
Tarifa indexada analisada202,39€
Oferta mais cara208,22€

Diferença entre a oferta mais barata e a tarifa indexada do exemplo:

39,51€ por mês

Se uma diferença semelhante se mantivesse durante 12 meses:

39,51€ × 12 = 474,12€

Novamente, isto não significa que qualquer família numa tarifa indexada vá pagar mais 474€.

O objetivo é mostrar o impacto potencial de não rever o contrato quando o mercado muda.


Como saber se tens uma tarifa indexada?

Começa pela tua fatura ou pela ficha contratual.

Procura palavras como:

  • indexado
  • indexada
  • OMIE
  • mercado diário
  • preço de mercado
  • fórmula de preço variável

Se não encontrares, consulta o contrato ou pergunta diretamente ao comercializador:

“O preço da minha eletricidade é fixo ou indexado ao mercado?”

Os fornecedores têm de disponibilizar aos consumidores uma ficha contratual com elementos como preços indicativos, modalidade tarifária, fidelização e serviços adicionais.


Há uma informação muito útil escondida na tua fatura

Muitos consumidores não sabem isto.

A fatura de eletricidade deve apresentar:

a diferença entre aquilo que estás a pagar e aquilo que pagarias com a tarifa regulada.

A ERSE confirma que esta comparação deve constar da fatura.

Procura uma linha semelhante a:

“Diferença face à tarifa regulada”

ou expressão equivalente.

Se estiveres a pagar consistentemente mais, vale a pena investigar.

Não significa automaticamente que deves mudar.

Alguns contratos podem incluir:

  • descontos;
  • serviços;
  • ofertas iniciais;
  • cashback;
  • outras condições.

Mas é um excelente alerta.


O que é a tarifa regulada?

No mercado regulado, os preços são definidos pela ERSE.

Atualmente está previsto que a tarifa regulada de eletricidade permaneça disponível até ao final de 2027.

Clientes domésticos em baixa tensão normal, com potência contratada até 41,4 kVA, podem aderir às condições equiparadas à tarifa regulada nas condições previstas.

Isto significa que o mercado livre não é a única referência disponível.


Posso mudar para a tarifa regulada?

Em muitos casos, sim.

A ERSE explica que os clientes em baixa tensão normal podem optar pelo regime equiparado à tarifa regulada.

Primeiro podes perguntar ao teu fornecedor atual se disponibiliza esse regime.

Se não disponibilizar, deve responder no prazo indicado e podes contratar com o Comercializador de Último Recurso nas condições previstas.

Consultar informação da ERSE sobre a tarifa regulada


Mudar de empresa de eletricidade custa dinheiro?

Em regra, não.

A ERSE indica que a mudança de comercializador:

  • não tem custo;
  • pode ser feita em qualquer altura;
  • não implica corte de fornecimento;
  • deve ficar concluída até três semanas após o novo contrato.

O novo fornecedor trata normalmente da mudança.

Existe, porém, uma coisa que tens de confirmar:

fidelização.

Se o teu contrato tiver um período de fidelização em vigor, pode existir uma penalização por terminares antecipadamente.

Os períodos de fidelização em contratos de consumidores não podem exceder 12 meses.


Não compares apenas o preço por kWh

Este é um dos maiores erros na escolha de eletricidade.

Imagina:

Empresa A

Energia barata.

Mas cobra uma potência diária mais cara.

Empresa B

kWh ligeiramente mais caro.

Mas potência mais baixa e nenhum serviço adicional.

Dependendo do teu consumo, a Empresa B pode acabar por ter uma fatura mais pequena.

Por isso, compara:

  • preço do kWh;
  • preço diário da potência;
  • descontos;
  • fidelização;
  • serviços obrigatórios;
  • débito direto;
  • fatura eletrónica;
  • promoções temporárias.

A ERSE recomenda comparar o custo global da oferta, não apenas uma componente.


Tens uma potência contratada demasiado alta?

Esta é outra forma muito simples de poupar.

A potência contratada determina quantos equipamentos elétricos podes utilizar simultaneamente.

Quanto maior for:

mais pagas todos os dias, mesmo que consumas pouca eletricidade.

A ERSE tem um simulador específico para ajudar os consumidores a escolher o escalão adequado.

Simulador oficial de potência contratada da ERSE


Um sinal de que podes ter potência a mais

Existe uma regra prática interessante indicada pela ERSE:

se o teu quadro elétrico praticamente nunca dispara, pode existir margem para experimentar um escalão inferior.

Naturalmente, depende dos equipamentos que utilizas ao mesmo tempo.

Por exemplo, podes não precisar de ter simultaneamente ligados:

  • forno;
  • máquina de lavar loiça;
  • máquina de lavar roupa;
  • aquecedores;
  • chaleira elétrica.

Alterar ligeiramente os hábitos pode permitir reduzir a potência.


Quanto podes poupar baixando a potência?

O simulador atual da ERSE indica que, para potências até 6,9 kVA, baixar um escalão pode representar aproximadamente:

36€ por ano

dependendo naturalmente do contrato concreto.

Pode parecer pouco.

Mas pensa assim:

36€ na potência

100€ numa tarifa mais barata

50€ através de hábitos de consumo

=

186€ num ano

É assim que pequenas alterações se acumulam.


E se tiveres direito à tarifa social?

Aqui a diferença pode ser muito maior.

Em 2026, o desconto da tarifa social de eletricidade corresponde a:

33,8%

calculado por referência à tarifa regulada.

Além disso, quem tem tarifa social beneficia de outras condições fiscais específicas, incluindo isenção do Imposto Especial sobre o Consumo e uma isenção parcial da contribuição audiovisual.


Mais de 745 mil contratos já beneficiavam em julho

A DGEG anunciou que, no processamento de julho de 2026, existiam:

745.411 clientes de eletricidade

a beneficiar da tarifa social.

Somando eletricidade e gás natural, eram 801.620 beneficiários.

Isto mostra que não estamos perante um apoio residual.

É uma medida que abrange centenas de milhares de famílias.


Quem pode ter direito à tarifa social?

Para a eletricidade, uma das condições é ter um contrato:

  • em nome do beneficiário;
  • para habitação permanente;
  • destinado a uso doméstico;
  • com potência até 6,9 kVA.

Depois, existem critérios económicos e sociais.

Entre as situações previstas estão beneficiários de:

  • Complemento Solidário para Idosos;
  • Rendimento Social de Inserção;
  • prestações de desemprego;
  • Abono de Família;
  • determinadas pensões sociais de invalidez;
  • pensão social de velhice.

Também pode existir elegibilidade através do rendimento anual do agregado dentro dos limites definidos.

Ver todas as condições da Tarifa Social na DGEG


Tenho de pedir a tarifa social?

Normalmente:

não.

O sistema funciona através de atribuição automática.

A DGEG cruza os dados dos consumidores com informação da Autoridade Tributária e da Segurança Social e comunica a elegibilidade aos comercializadores.

Se achas que tens direito mas o desconto não aparece na fatura, podes pedir esclarecimentos.


Como fazer uma auditoria à tua fatura em 10 minutos

Pega na última fatura.

Anota:

1. Potência contratada

Exemplo:

6,9 kVA

2. Consumo mensal

Exemplo:

320 kWh

3. Preço da energia

Exemplo:

0,16€/kWh

4. Preço diário da potência

Exemplo:

0,50€/dia

5. Tipo de contrato

Fixo ou indexado.

6. Serviços adicionais

Seguro?

Assistência técnica?

Manutenção?

7. Fidelização

Existe?

Até quando?

8. Comparação com tarifa regulada

Consulta a linha da fatura.

Depois introduz:

  • potência;
  • consumo;
  • opção tarifária;
  • código postal;

no simulador da ERSE.

Comparar ofertas no simulador oficial da ERSE


Exemplo: poupar 15€ por mês

Imagina que pagas atualmente:

82€/mês

Depois de comparar ofertas, encontras uma alternativa adequada por:

67€/mês

Diferença:

15€/mês

Num ano:

15€ × 12 = 180€

Num período de três anos:

540€

É por isso que rever o contrato uma vez por ano pode valer muito mais do que desligar uma lâmpada durante cinco minutos.


Não escolhas uma empresa só por causa de um bónus de 100€

Algumas ofertas incluem:

50€, 100€ ou mais de desconto inicial.

Parece excelente.

Mas faz a conta anual.

Oferta A

Primeiro ano:

100€ de desconto

mas mensalidade efetiva 8€ mais cara.

Diferença anual:

8€ × 12 = 96€

Ou seja, praticamente todo o desconto desaparece durante o primeiro ano.

No segundo ano, já não existe o bónus e continuas com a tarifa mais cara.

As promoções podem compensar.

Mas só depois de calculares o custo total.


E a tarifa bi-horária?

Também pode ser interessante, mas apenas se conseguires deslocar uma parte significativa do consumo para os períodos mais baratos.

A ERSE permite atualmente escolher entre:

  • tarifa simples;
  • bi-horária;
  • tri-horária.

Por exemplo, alguém que consiga colocar:

  • máquina de lavar roupa;
  • máquina de lavar loiça;
  • carregamento de veículo elétrico;

em horários de vazio pode beneficiar.

Mas uma família que utilize praticamente toda a eletricidade no período mais caro pode acabar por não poupar.

O simulador oficial ajuda a comparar.


Não mudes de contrato apenas porque leste que “as indexadas subiram”

Este ponto é essencial.

Os preços energéticos mudam.

Uma tarifa indexada que esteja cara em agosto pode tornar-se barata em novembro.

Uma tarifa fixa barata hoje pode tornar-se menos competitiva no próximo ano.

Portanto, não tomes a decisão com base apenas numa manchete.

Faz isto:

simula com o teu consumo real.

A ERSE salienta que comparações entre ofertas pontuais não devem ser confundidas com a evolução de todas as faturas dos consumidores, porque os contratos têm condições diferentes.

Esta distinção é fundamental.


O plano que eu faria antes do outono

Agosto é uma boa altura para tratar disto porque os meses seguintes trazem normalmente mais:

  • iluminação;
  • aquecimento;
  • utilização de eletrodomésticos;
  • tempo passado em casa.

Antes de outubro:

1. compara o contrato atual;

2. confirma se a potência é adequada;

3. verifica tarifa social;

4. elimina serviços adicionais que não utilizas;

5. guarda a leitura atual do contador;

6. volta a comparar quando o mercado mudar significativamente.


Perguntas frequentes

As tarifas indexadas estão mais caras em agosto de 2026?

Algumas análises do mercado de agosto mostram uma subida significativa dos preços das ofertas indexadas e menor competitividade para vários perfis de consumo. Isso não significa que todos os contratos indexados estejam mais caros nem que a situação se mantenha.

Tarifa fixa ou indexada: qual é melhor?

Depende do preço atual, do teu consumo e da tolerância à volatilidade. Tarifas fixas oferecem maior previsibilidade; indexadas acompanham o mercado e podem tanto baixar como subir.

Como sei se estou a pagar mais do que na tarifa regulada?

A tua fatura deve apresentar uma comparação com a tarifa regulada. Também podes usar o simulador da ERSE.

Posso voltar ao mercado regulado?

Clientes em baixa tensão normal podem ter acesso ao regime equiparado às condições da tarifa regulada nos termos previstos.

Mudar de fornecedor tem custo?

Não há custo associado ao processo de mudança, embora possa existir penalização se tiveres um contrato com fidelização em vigor.

A tarifa social é automática?

Sim, em regra é atribuída automaticamente através do cruzamento de dados feito pela DGEG.

Quanto é o desconto da tarifa social em 2026?

33,8%, calculado nos termos definidos para 2026.

Baixar a potência contratada pode poupar dinheiro?

Sim. A ERSE indica que uma potência superior às necessidades aumenta a fatura e disponibiliza um simulador para avaliar o escalão adequado.


Conclusão

O maior erro com a eletricidade é pensar:

“Já escolhi um fornecedor. Agora não tenho de pensar mais nisso.”

O mercado muda.

Os preços mudam.

Os teus hábitos também mudam.

E aquilo que era barato há seis meses pode já não ser a melhor opção.

Em agosto de 2026, a subida de algumas tarifas indexadas voltou a mostrar precisamente isso.

Antes do outono, reserva dez minutos.

Pega na fatura.

Vê:

quanto pagas por kWh, qual é a potência, se estás numa tarifa indexada e quanto pagarias na tarifa regulada.

Depois compara no simulador da ERSE.

Pode acontecer que a tua tarifa continue excelente.

Nesse caso, ótimo.

Mas também podes descobrir que estás a deixar:

100€, 200€ ou mais por ano na mesa.

E, ao contrário de muitas estratégias complicadas de poupança, mudar um contrato de eletricidade é uma decisão que podes tomar uma vez e beneficiar dela todos os meses.


Fontes oficiais e ferramentas úteis

A informação deste artigo foi verificada principalmente junto da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

ERSE — Simulador de preços de eletricidade e gás

ERSE — Como compreender a fatura de eletricidade

ERSE — Informação sobre tarifa regulada

ERSE — Simulador da potência contratada

DGEG — Tarifa Social de Energia