Quando conseguimos finalmente juntar algum dinheiro, surge outra dúvida:

onde devemos guardá-lo?

Deixar tudo parado numa conta à ordem é simples, mas normalmente significa receber pouco ou nenhum juro. Investir pode permitir procurar retornos superiores, mas também envolve risco.

No meio destas duas opções estão os depósitos a prazo, uma das formas mais conhecidas de poupança em Portugal.

Mas será que ainda compensam em 2026?

A resposta é: podem compensar, mas não basta escolher o depósito que anuncia a taxa mais alta.

É preciso perceber quanto vais realmente receber, durante quanto tempo o dinheiro fica aplicado e quais são as condições.


O que é um depósito a prazo?

Num depósito a prazo colocas uma determinada quantia numa instituição financeira durante um período definido.

Em troca, o banco paga juros de acordo com as condições contratadas.

Por exemplo:

Capital: 5.000€
Prazo: 12 meses
TANB: 2%

Uma conta simplificada para um depósito de um ano seria:

5.000€ × 2% = 100€ de juros brutos

Mas estes 100€ não correspondem necessariamente ao dinheiro que fica efetivamente contigo.

E é aqui que entra uma sigla muito importante.

TANB: o que significa?

TANB significa:

Taxa Anual Nominal Bruta

É a taxa que normalmente aparece anunciada pelos bancos.

O problema está precisamente na palavra:

bruta.

Significa que ainda não foi considerado o imposto sobre os juros.

Para uma pessoa singular com domicílio fiscal em Portugal continental, o Banco de Portugal indica uma retenção de 28%, na ausência de regime especial.

Por isso, uma TANB de 2% não significa necessariamente que fiques com 2% líquidos.


Quanto rende realmente um depósito de 5.000€?

Vamos utilizar um exemplo simples de 12 meses e uma TANB hipotética de 2%.

Capital:

5.000€

Juros brutos:

5.000€ × 2% = 100€

Considerando retenção de 28%:

100€ × 28% = 28€

Juros líquidos:

72€

No final terias:

5.072€

Ou seja, quando comparares depósitos, não olhes apenas para o número grande apresentado na publicidade.

Pergunta:

Quanto dinheiro líquido vou efetivamente receber?

O Banco de Portugal explica que, quando se aplica a retenção de 28%, a TANL corresponde a 72% da TANB.


E se colocar 10.000€?

Mantendo o mesmo exemplo hipotético de:

TANB: 2%
Prazo: 12 meses

Teríamos:

Juros brutos:

10.000€ × 2% = 200€

Imposto de 28%:

56€

Juros líquidos:

144€

Capital final:

10.144€

Esta conta ajuda-nos também a perceber outra coisa.

Para capitais relativamente pequenos, diferenças mínimas entre taxas podem representar poucos euros.


1,5% ou 2%: vale a pena mudar de banco?

Imagina dois depósitos de 5.000€ durante um ano.

Banco A

TANB: 1,5%

Juros brutos:

75€

Após retenção de 28%:

54€ líquidos

Banco B

TANB: 2%

Juros brutos:

100€

Depois da mesma retenção:

72€ líquidos

Diferença:

18€

Naturalmente, quanto maior for o capital, maior será o impacto da diferença entre taxas.

Mas este exemplo mostra por que razão devemos analisar o conjunto da oferta.

Pode não fazer sentido abrir uma conta com custos ou cumprir condições complicadas apenas para obter mais alguns euros.


O prazo faz diferença

Sim.

Uma TANB é uma taxa anual.

Isso não significa que um depósito de seis meses pague automaticamente essa percentagem inteira.

O Banco de Portugal explica que, para depósitos com prazo diferente de um ano, é necessário calcular a remuneração proporcional ao período da aplicação.

Por isso, quando vires:

“TANB 3%”

verifica imediatamente:

Qual é o prazo?

Se forem apenas três ou seis meses, não deves assumir que receberás 3% sobre o capital aplicado.


Atenção à mobilização antecipada

Esta é uma das condições que eu verificaria sempre antes de contratar um depósito.

Existem depósitos que permitem retirar o dinheiro antes do vencimento.

Outros podem não permitir.

E alguns permitem a mobilização antecipada, mas aplicam uma penalização sobre os juros.

O Banco de Portugal esclarece que, nos depósitos a prazo, o capital é reembolsado no vencimento ou na data permitida para mobilização antecipada, quando esta estiver prevista.

Isto é especialmente importante para o fundo de emergência.

Não faz sentido colocares todo o dinheiro destinado a emergências num produto ao qual não consigas aceder quando realmente precisas dele.


Os depósitos a prazo são seguros?

Esta é uma das principais vantagens.

Os depósitos abrangidos pelos sistemas aplicáveis de garantia beneficiam de proteção até:

100.000€ por depositante e por instituição.

No caso das instituições de crédito com sede em Portugal abrangidas pelo sistema, a proteção é assegurada pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Nas sucursais portuguesas de instituições de outros países da União Europeia, aplica-se o sistema de garantia do país da sede, também com limite de 100.000€.

Repara numa parte muito importante:

por depositante e por instituição.

Não é 100.000€ por cada conta que tenhas no mesmo banco.


E se tiver várias contas no mesmo banco?

Imagina:

Conta à ordem: 20.000€

Depósito A: 50.000€

Depósito B: 60.000€

Total na mesma instituição:

130.000€

Ter três produtos diferentes não significa automaticamente três limites de 100.000€.

O limite de garantia é calculado por depositante e instituição, de acordo com as regras aplicáveis.

É um detalhe particularmente importante para quem possui património elevado.


O verdadeiro inimigo: inflação

Existe outra pergunta que devemos fazer:

O meu dinheiro está realmente a crescer?

Imagina:

Depósito líquido: 1,44%

Inflação: 2%

Mesmo recebendo juros, o poder de compra do dinheiro pode diminuir.

O Banco de Portugal explica precisamente este conceito através da taxa de juro real, relacionando a remuneração líquida do depósito com a inflação. Se a taxa líquida superar a inflação, o poder de compra aumenta; caso contrário, pode diminuir.

Isto não significa que um depósito seja automaticamente uma má escolha.

Significa apenas que:

receber juros não é necessariamente o mesmo que aumentar o poder de compra.


Então os depósitos a prazo ainda compensam em 2026?

Podem compensar sobretudo para dinheiro em que valorizas:

segurança, previsibilidade e baixo risco.

Por exemplo, podem fazer sentido para:

  • dinheiro que poderás precisar num horizonte relativamente curto;
  • parte das poupanças;
  • objetivos com data próxima;
  • pessoas que não querem assumir volatilidade;
  • determinadas parcelas de um fundo de emergência, desde que exista liquidez adequada.

Podem fazer menos sentido como única estratégia para todo o património durante décadas.


Conta à ordem vs depósito a prazo

Imagina 10.000€.

Opção A

Dinheiro numa conta sem remuneração:

Ao fim de um ano:

10.000€

Opção B

Depósito hipotético a 2% TANB durante 12 meses:

Juros líquidos aproximados, considerando retenção de 28%:

144€

Total:

10.144€

Não vais ficar rico com o depósito.

Mas receber alguma remuneração pode ser preferível a deixar dinheiro que não precisas imediatamente numa conta sem juros.


Quanto rende cada valor?

Utilizando novamente apenas o nosso exemplo hipotético de 2% TANB durante 12 meses:

CapitalJuros brutosJuros líquidos*
1.000€20€14,40€
2.500€50€36€
5.000€100€72€
10.000€200€144€
25.000€500€360€
50.000€1.000€720€

*Exemplo considerando retenção de 28%. A situação fiscal concreta pode ser diferente.


7 coisas que deves verificar antes de escolher um depósito

Antes de colocar o dinheiro, verifica:

  1. TANB
  2. Prazo
  3. Juros líquidos estimados
  4. Montante mínimo
  5. Possibilidade de mobilização antecipada
  6. Penalização dos juros em caso de levantamento antecipado
  7. Custos associados à conta necessária para contratar o produto

O Banco de Portugal disponibiliza inclusivamente um simulador para calcular o rendimento de depósitos a partir do capital, prazo, TANB, tributação e periodicidade dos juros.

Simulador de depósitos do Banco de Portugal


Não escolhas apenas pela taxa anunciada

Imagina:

Produto A

TANB: 2,5%

Sem custos adicionais.

Produto B

TANB: 3%

Mas exige uma conta com determinada comissão.

A segunda taxa parece imediatamente melhor.

Mas depois de contabilizares todos os custos, a diferença pode diminuir ou até desaparecer.

É por isso que comparar apenas TANB pode conduzir a uma decisão errada.


Fundo de emergência: depósito ou conta?

Eu separaria o fundo de emergência em função da rapidez com que podes precisar do dinheiro.

Uma parte deve estar disponível praticamente de imediato.

Outra parte poderá eventualmente estar num produto remunerado com elevada segurança e possibilidade de mobilização adequada.

A regra principal é simples:

dinheiro para uma emergência deve estar acessível numa emergência.

Não sacrifiques liquidez apenas para obter mais alguns euros de juros.


Depósito a prazo ou investir?

Não são necessariamente alternativas concorrentes.

Servem objetivos diferentes.

Um depósito privilegia:

estabilidade e previsibilidade.

Um investimento em ativos com risco pode procurar:

crescimento de longo prazo, aceitando oscilações e possibilidade de perdas.

Uma pessoa pode perfeitamente ter:

conta à ordem + fundo de emergência + depósitos + investimentos

Cada parcela do dinheiro desempenha uma função diferente.


Como escolher onde colocar 10.000€

Em vez de perguntares:

“Qual é o produto que rende mais?”

começa por perguntar:

Quando vou precisar deste dinheiro?

Se for dentro de poucos meses, a segurança e a liquidez assumem enorme importância.

Se for dinheiro para daqui a 20 ou 30 anos, a análise poderá ser completamente diferente.

O produto deve ser escolhido depois do objetivo, não o contrário.


Perguntas frequentes

Quanto rende um depósito a prazo?

Depende do capital, TANB, prazo, tributação e condições do depósito. A taxa anunciada é normalmente anual e bruta.

Os juros dos depósitos pagam IRS?

Para pessoas singulares com domicílio fiscal em Portugal continental, o Banco de Portugal indica uma taxa de 28%, salvo regimes especiais aplicáveis.

Posso perder o dinheiro num depósito a prazo?

Os depósitos abrangidos pelos sistemas de garantia aplicáveis estão protegidos até 100.000€ por depositante e instituição, nas condições previstas.

Posso retirar o dinheiro antes do fim?

Depende do contrato. Alguns depósitos permitem mobilização antecipada e outros não. Quando é permitida, pode existir penalização dos juros.

Compensa deixar dinheiro parado na conta à ordem?

Se não precisas desse dinheiro imediatamente e a conta não paga juros, vale a pena comparar alternativas seguras e perceber se existe uma solução adequada ao teu objetivo.


Conclusão

Os depósitos a prazo continuam a poder desempenhar um papel útil em 2026.

Mas não devem ser escolhidos simplesmente porque um banco anuncia:

“TANB X%”

Antes de decidir, calcula:

quanto vais receber líquido, durante quanto tempo o dinheiro ficará aplicado, se podes levantá-lo antecipadamente e quais são os custos associados.

E lembra-te de uma regra simples:

primeiro decide quando vais precisar do dinheiro. Depois escolhe onde o colocar.

É uma abordagem muito mais inteligente do que perseguir simplesmente a taxa mais alta.