Atualizado em agosto de 2026
Já decidiste que serviço vais vender. Já sabes quanto deves cobrar. Talvez até já tenhas aberto atividade.
Agora aparece a parte que costuma bloquear quase toda a gente:
Onde encontro clientes?
Criar um perfil no Instagram, LinkedIn ou numa plataforma de freelancers não significa que os pedidos vão começar a aparecer.
Quando ainda não tens avaliações, testemunhos ou uma carteira de clientes, precisas de resolver um problema muito simples:
porque é que alguém haveria de confiar em ti?
A boa notícia é que não precisas de investir dinheiro em publicidade para conseguir os primeiros trabalhos.
Em Portugal existem atualmente plataformas orientadas para a contratação de profissionais, como a Zaask, onde empresas e particulares podem procurar serviços e comparar propostas, perfis, portefólios e avaliações. A própria plataforma permite aos profissionais registarem-se para contactar potenciais clientes.
Para quem pretende clientes internacionais, a Upwork continua igualmente ativa em 2026 e permite criar um perfil profissional, procurar projetos e enviar propostas a clientes de vários países. A plataforma apresenta atualmente profissionais portugueses em áreas como programação, design, escrita, tradução, vídeo, Excel e outras competências digitais.
Mas as plataformas são apenas uma das formas de encontrar clientes.
Neste artigo vamos construir um sistema que podes começar a aplicar mesmo que tenhas:
zero seguidores, zero avaliações, zero clientes e zero euros para investir.
Resposta rápida: como conseguir o primeiro cliente?
Se estás mesmo a começar, eu não tentaria estar em dez plataformas ao mesmo tempo.
Faria quatro coisas:
Escolheria um serviço muito concreto.
Criaria três exemplos de trabalho.
Contactaria pessoas ou empresas que realmente possam precisar desse serviço.
Enviaria propostas todos os dias durante pelo menos 30 dias.
É muito menos interessante do que esperar por um vídeo viral.
Mas é bastante mais controlável.
O teu primeiro objetivo não deve ser:
“Quero construir uma marca pessoal enorme.”
Deve ser:
“Quero encontrar uma pessoa com um problema que eu consiga resolver e fazê-la pagar-me por essa solução.”
O erro começa muitas vezes no serviço
Imagina estes dois anúncios.
Opção A
“Faço marketing digital.”
Opção B
“Crio e programo 12 publicações mensais para pequenos restaurantes que não têm tempo para gerir o Instagram.”
Qual deles é mais fácil de compreender?
O segundo.
O cliente percebe imediatamente:
o que fazes, para quem fazes e aquilo que recebe.
É muito mais fácil vender uma solução concreta do que uma competência vaga.
Não vendas “Canva”, “ChatGPT” ou “Excel”
Estas são ferramentas.
O cliente não está necessariamente interessado na ferramenta que utilizas.
Está interessado no resultado.
Em vez de:
“Sei trabalhar com Canva.”
podes vender:
“Crio 20 publicações prontas a publicar para redes sociais.”
Em vez de:
“Sei Excel.”
podes vender:
“Organizo folhas de cálculo e automatizo relatórios mensais.”
Em vez de:
“Sei usar inteligência artificial.”
podes vender:
“Transformo documentos longos em apresentações, resumos ou conteúdos estruturados.”
O resultado é aquilo que tem valor comercial.
Os serviços que já têm procura em Portugal dão-te pistas
Não tens de inventar um negócio completamente novo.
A Zaask apresenta atualmente, entre as tendências e serviços empresariais disponíveis em Portugal, áreas como gestão de redes sociais, criação de websites, marketing digital, web design, revisão e edição de textos, traduções, elaboração de CV e contabilidade.
A plataforma tem também categorias específicas de assistência virtual, com milhares de profissionais registados, o que mostra que existe um mercado ativo para apoio administrativo remoto.
A Upwork apresenta igualmente profissionais portugueses em competências como JavaScript, Python, copywriting, edição de vídeo, design, tradução, escrita e Excel.
Isto não significa que devas escolher automaticamente uma dessas áreas.
Significa que existe procura real por serviços que muitas pessoas conseguem começar a prestar sem criar produtos, comprar stock ou investir milhares de euros.
Não sabes o que vender? Usa esta tabela
| Se sabes fazer… | Não vendas apenas… | Vende algo concreto como… |
|---|---|---|
| Canva | Design | 10 posts para Instagram |
| Escrita | Textos | 4 artigos para um blogue |
| Excel | Excel | Organização e automatização de folhas |
| Inglês | Inglês | Tradução PT-EN |
| Vídeo | Edição | 10 vídeos verticais para Reels |
| Redes sociais | Social media | Gestão mensal de Instagram |
| Administração | Assistência | 10 horas de apoio administrativo |
| Word/PowerPoint | Documentos | Apresentações profissionais |
| IA | Inteligência artificial | Conteúdos, resumos ou automatizações |
| Fotografia | Fotografia | Sessão de produto ou negócio local |
Quanto mais fácil for perceber aquilo que o cliente recebe, mais fácil é pedir um orçamento.
“Mas não tenho experiência.”
Esta é provavelmente a objeção mais frequente.
E existe uma solução.
Cria experiência demonstrável antes de ter clientes.
Não inventes testemunhos.
Não digas que trabalhaste para empresas que nunca foram tuas clientes.
Cria projetos de demonstração.
Imagina que queres oferecer gestão de redes sociais a restaurantes.
Escolhes um restaurante real e crias, sem publicar:
três exemplos de publicações que farias para aquele negócio.
Agora já tens algo para mostrar.
Se queres trabalhar como assistente virtual, cria:
uma folha de gestão de tarefas, um exemplo de agenda semanal e uma folha Excel organizada.
Se queres escrever artigos:
publica três bons artigos num portefólio simples.
Se queres editar vídeos:
cria três vídeos de demonstração com material próprio ou conteúdo para o qual tenhas autorização de utilização.
Um cliente acredita muito mais facilmente naquilo que consegue ver.
Precisas mesmo de um website?
No início?
Não obrigatoriamente.
Um site profissional pode ser excelente mais tarde.
Mas não deixaria o primeiro cliente à espera enquanto passas três semanas a escolher:
logótipo, domínio, cores, tipografia e nome da marca.
Para começar podes ter um portefólio organizado numa página simples ou documento visual que mostre:
quem ajudas, o que fazes, exemplos e como te contactar.
A prioridade é conseguir mostrar trabalho.
Onde encontrar clientes em Portugal?
Não existe um único lugar.
Há quatro canais particularmente úteis para um iniciante:
| Canal | Vantagem | Desvantagem |
|---|---|---|
| Rede pessoal/profissional | Confiança já existe | Rede limitada |
| Empresas contactadas diretamente | Sem comissão de plataforma | Exige prospeção |
| Plataformas portuguesas | Clientes já procuram serviços | Concorrência |
| Plataformas internacionais | Mercado muito maior | Concorrência global |
A Zaask permite atualmente que clientes submetam pedidos e comparem propostas de profissionais, sendo especialmente útil para serviços locais e empresariais.
Na Upwork, os freelancers podem construir um perfil, procurar oportunidades e apresentar propostas a projetos publicados por clientes internacionais.
Começaria primeiro pelas pessoas que já te conhecem
Não estou a sugerir mandar uma mensagem a toda a família a pedir trabalho.
Faria algo mais inteligente.
Imagina que sabes criar sites.
Em vez de:
“Agora faço sites. Se souberes de alguém diz.”
envias algo como:
“Comecei a trabalhar com pequenos negócios que precisam de uma presença online simples. Estou a aceitar os primeiros projetos e já tenho alguns exemplos preparados. Se conheceres alguém que tenha um negócio e ainda não tenha um site funcional, agradeço que lhe mostres o meu trabalho.”
A diferença é enorme.
Não estás a pedir caridade.
Estás a explicar aquilo que resolves.
O primeiro cliente pode estar muito mais perto do que imaginas
Olha para os negócios que existem à tua volta.
Por exemplo:
cabeleireiros, cafés, restaurantes, clínicas, lojas, alojamentos, ginásios, oficinas, imobiliárias, profissionais liberais.
Agora procura problemas.
Talvez encontres uma empresa que:
tem Instagram abandonado;
não responde às avaliações;
tem fotografias fracas;
não aparece bem nas pesquisas locais;
tem menus ou documentos pouco profissionais;
não publica há meses;
tem um site desatualizado.
Não abordes o negócio dizendo:
“Precisa dos meus serviços?”
Mostra que viste alguma coisa concreta.
A diferença entre spam e prospeção
Esta mensagem é fraca:
“Olá. Sou freelancer e faço marketing digital. Gostaria de saber se precisam dos meus serviços.”
Pode ser enviada a 10.000 empresas.
Esta é diferente:
“Olá, estive a ver a página do vosso restaurante e reparei que têm boas fotografias dos pratos, mas publicam pouco e não existe informação clara sobre o menu nos destaques. Trabalho na criação de conteúdo para pequenos negócios e preparei duas ideias que poderiam usar. Posso enviar-vos?”
Continua a ser uma abordagem comercial.
Mas existe contexto.
Mostra que não estás apenas a copiar uma mensagem.
Não tentes vender logo um contrato mensal de 500€
O primeiro “sim” deve ser fácil.
Imagina que ofereces gestão de redes sociais.
Em vez de começares por:
400€/mês durante seis meses
podes criar um serviço inicial:
Pack teste: 5 publicações + calendário de conteúdo = 120€
O cliente conhece o teu trabalho.
Tu conheces o cliente.
Se correr bem, podes depois propor:
gestão mensal.
Isto reduz o risco para ambos.
Mas não trabalhes gratuitamente durante meses
Uma pequena demonstração pode ser uma ferramenta comercial.
Trabalho contínuo gratuito é outra coisa.
Podes preparar:
uma sugestão de publicação, uma pequena análise ou um exemplo.
Não tens de gerir gratuitamente o Instagram de uma empresa durante um mês para “provar o teu valor”.
O objetivo é demonstrar capacidade suficiente para conseguir uma venda.
Zaask: quando faz sentido?
Para alguém interessado no mercado português, é uma das opções a testar porque a plataforma continua ativa em todo o país e inclui serviços para empresas como marketing digital, websites e outros trabalhos profissionais. Os clientes publicam necessidades e podem receber propostas de diferentes profissionais.
A vantagem é evidente:
não precisas de convencer alguém de que precisa daquele serviço.
O cliente já entrou numa plataforma à procura de ajuda.
O teu trabalho passa a ser convencê-lo de que és uma boa escolha.
E a Upwork?
A Upwork pode ser particularmente interessante quando o teu serviço pode ser entregue remotamente.
Atualmente permite a profissionais criarem perfis, definirem competências e preços e candidatarem-se a trabalhos publicados.
A procura não está limitada a Portugal.
Isto significa que podes trabalhar para empresas ou clientes noutros mercados.
Mas também significa que vais competir com profissionais de muitos países.
Por isso, um perfil genérico tende a ter mais dificuldade.
“Faço tudo” é um mau posicionamento
Imagina estes dois perfis.
Perfil 1
Assistente virtual | Escrita | Design | Excel | Traduções | Social Media | Dados
Perfil 2
Assistente Virtual para pequenos negócios | Email, agenda, Excel e apoio administrativo
O segundo não sabe necessariamente mais.
Mas é muito mais fácil perceber porque razão deve ser contratado.
Especialização não significa que vais fazer apenas aquela coisa para sempre.
Serve para tornar a decisão do cliente mais simples.
O teu perfil deve responder a quatro perguntas
Quando alguém chega ao teu perfil, página ou portefólio deve perceber rapidamente:
| Pergunta do cliente | O que deves mostrar |
|---|---|
| O que faz esta pessoa? | Serviço concreto |
| Trabalha com pessoas como eu? | Tipo de cliente |
| Consegue fazer bem? | Portefólio/exemplos |
| Quanto custa começar? | Preço ou forma de pedir orçamento |
Se o potencial cliente precisa de ler quinze parágrafos para perceber o que vendes, estás a criar fricção desnecessária.
Como escrever uma proposta que não pareça copiada
Evita começar com uma longa apresentação sobre ti.
O cliente está sobretudo interessado no problema dele.
Uma boa estrutura é:
problema → solução → prova → próximo passo.
Exemplo:
“Vi que procuras alguém para transformar vídeos longos em Shorts. Trabalho precisamente com edição vertical e consigo entregar vídeos com legendas, cortes e formato pronto para TikTok/Reels. Tenho três exemplos semelhantes no portefólio. Se quiseres, posso começar por um vídeo para percebermos se o estilo corresponde ao que procuras.”
Curto.
Claro.
Sem dez parágrafos sobre a tua paixão por edição.
Quantas propostas deves enviar?
Não existe um número mágico.
Mas no início eu trataria a procura de clientes como uma atividade diária.
Imagina:
3 contactos relevantes por dia × 5 dias = 15 por semana.
Em quatro semanas:
60 abordagens.
É muito mais provável aprenderes alguma coisa depois de 60 tentativas do que depois de três.
Se ninguém responde, analisas a mensagem.
Se respondem mas não compram, analisas a oferta.
Se compram mas acham caro, verificas se estás a comunicar o valor certo.
O objetivo não é apenas enviar mensagens.
É recolher informação.
Um “não” também te dá dados
Imagina que dez pessoas respondem:
“Já temos alguém que trata disso.”
Talvez estejas a contactar o tipo de empresa errado.
Se dizem:
“Não temos orçamento para isso.”
Talvez precises de procurar empresas maiores ou criar uma oferta inicial menor.
Se dizem:
“Interessante. Quanto custa?”
Excelente.
A mensagem despertou intenção.
Agora tens de melhorar a proposta comercial.
Não baixes imediatamente o preço
Se o cliente diz:
“É caro.”
Pergunta:
“Comparando com quê?”
Talvez ele esperasse metade do serviço.
Talvez tenha um orçamento inferior.
Talvez não tenha percebido o trabalho incluído.
Em vez de baixar um projeto de 400€ para 250€ mantendo exatamente tudo, reduz o âmbito.
Por exemplo:
| Opção | Inclui | Preço |
|---|---|---|
| Essencial | 5 conteúdos | 150€ |
| Completo | 10 conteúdos + calendário | 280€ |
| Mensal | 12 conteúdos + acompanhamento | 390€ |
O cliente passa a escolher entre soluções.
Não entre “comprar ou não comprar”.
O primeiro cliente deve produzir três coisas
Claro que deve produzir dinheiro.
Mas idealmente também:
um bom trabalho para mostrar
e
um testemunho.
Depois de concluíres e o cliente ficar satisfeito, pergunta se podes utilizar o projeto no portefólio.
E pede uma avaliação curta.
Depois o próximo cliente já não encontra:
zero provas.
Encontra:
trabalho realizado + opinião de alguém que pagou.
É assim que o processo começa a ficar mais fácil.
As recomendações podem tornar-se o teu melhor canal
A recomendação reduz uma das maiores barreiras de qualquer serviço: a confiança.
O guia de freelancing da Wise também destaca recomendações e clientes recorrentes como formas importantes de criar estabilidade na atividade freelance.
Não esperes, contudo, que o cliente se lembre sempre de te recomendar.
Depois de um projeto bem-sucedido podes simplesmente dizer:
“Se conheceres alguém que precise de um serviço semelhante, podes enviar-lhe o meu contacto.”
Sem programa complicado.
Sem pressão.
Não abandones um bom cliente depois do primeiro projeto
Conseguir um novo cliente dá trabalho.
Por isso, depois de entregares bem, pergunta:
“Existe mais alguma coisa neste processo em que vos possa ajudar?”
Talvez o cliente que comprou:
um website
também precise de:
manutenção.
Quem comprou:
10 vídeos
pode precisar de:
10 vídeos todos os meses.
Quem comprou:
organização de Excel
pode precisar de:
relatórios mensais.
O rendimento começa a tornar-se muito mais previsível quando parte dos clientes passa a ser recorrente.
O que fazer em agosto e setembro
Como estamos na segunda metade de agosto, eu prepararia agora:
oferta, portefólio e lista de potenciais clientes.
E utilizaria o final de agosto e setembro para uma campanha de contactos consistente.
Não porque exista uma “regra fiscal” ou uma garantia de que setembro produz clientes.
Mas porque é uma boa altura prática para entrares no último trimestre do ano já com um sistema comercial montado.
O objetivo é não chegares a outubro ainda a escolher a cor do logótipo.
Um plano de 30 dias para conseguir o primeiro cliente
| Período | Objetivo |
|---|---|
| Dias 1–3 | Escolher um serviço e tipo de cliente |
| Dias 4–6 | Criar três trabalhos de demonstração |
| Dia 7 | Preparar portefólio simples |
| Dias 8–10 | Criar lista de 30 potenciais clientes |
| Dias 11–20 | Fazer 3 abordagens relevantes por dia |
| Dias 21–25 | Melhorar mensagem segundo as respostas |
| Dias 26–30 | Fazer follow-up e apresentar propostas |
Não precisas de executar tudo perfeitamente.
Precisas de chegar ao final do mês tendo falado com pessoas reais que podem comprar.
E se ninguém responder?
Não concluas imediatamente:
“Não tenho talento.”
Existem muitas variáveis.
Pode ser:
o cliente errado, a mensagem errada, o serviço demasiado vago, preço mal apresentado ou simplesmente pouco volume de contactos.
Analisa uma variável de cada vez.
Por exemplo:
60 contactos.
10 respostas.
3 pedidos de preço.
0 clientes.
Isto é muito diferente de:
60 contactos.
0 respostas.
No segundo caso, provavelmente começaria pela abordagem ou pelo público.
No primeiro, investigaria proposta e preço.
O que não faria para conseguir clientes
| Estratégia | Problema |
|---|---|
| Comprar seguidores | Não cria procura real |
| Trabalhar meses gratuitamente | Não é sustentável |
| Mentir sobre experiência | Destrói confiança |
| Copiar mensagens para centenas de pessoas | Parece spam |
| Cobrar quase zero | Atrai clientes pelo preço |
| Criar dez serviços diferentes | Dificulta posicionamento |
| Esperar que Instagram resolva tudo | Crescimento orgânico pode ser lento |
| Gastar logo em anúncios | Ainda não sabes se a oferta converte |
Publicidade pode funcionar muito bem quando já sabes:
quem compra, qual oferta vende e quanto vale um cliente.
No início ainda estás a descobrir isso.
Quanto devo gastar para conseguir o primeiro cliente?
Podes começar com 0€.
Podes criar exemplos com ferramentas que já utilizas, fazer prospeção direta, contactar a tua rede e testar plataformas.
Isto não significa que nunca devas investir.
Mais tarde podes pagar por:
site, domínio, ferramentas, publicidade, software ou aquisição de leads.
Mas não precisas desses custos para validar se alguém está disposto a pagar pelo serviço.
E se tiver emprego?
Podes começar muito mais devagar.
Em vez de tentares conseguir dez clientes, talvez queiras apenas:
1 ou 2 clientes recorrentes.
Por exemplo:
2 clientes × 250€/mês = 500€ de faturação adicional mensal
sem transformares imediatamente o freelancing numa atividade a tempo inteiro.
Naturalmente, rendimento obtido através de atividade independente tem implicações fiscais e contributivas próprias. Se acumulares trabalho por conta de outrem com recibos verdes, existem regras específicas de IRS e Segurança Social que devem ser analisadas separadamente.
E se o primeiro cliente quiser pagar muito pouco?
Não precisas de aceitar qualquer projeto só porque é o primeiro.
Imagina:
projeto estimado em 15 horas
cliente oferece 80€.
Isso representa:
5,33€/hora
antes de impostos, contribuições e despesas.
Talvez esse projeto te dê um portefólio extraordinário.
Mas se não oferece dinheiro, experiência relevante, testemunho importante ou possibilidade concreta de trabalho futuro, pergunta:
porque estou a aceitar isto?
O primeiro cliente deve ajudar-te a avançar.
Não ensinar-te que trabalhar quase de graça é normal.
Como passar do primeiro cliente para 500€ por mês
Imagina que crias um serviço de:
250€/mês
Precisas de:
2 clientes = 500€/mês
Agora o objetivo parece bastante diferente de:
“Tenho de ficar famoso na Internet.”
Não precisas de milhares de clientes.
Precisas de encontrar dois negócios para os quais o teu serviço produza pelo menos 250€ de valor mensal.
Depois podes pensar em:
3 clientes = 750€
4 clientes = 1.000€
6 clientes = 1.500€
É assim que um rendimento extra pode começar a tornar-se uma pequena atividade real.
Perguntas frequentes
Como conseguir clientes como freelancer sem experiência?
Cria projetos de demonstração, escolhe um serviço muito concreto e usa esses exemplos para contactar clientes que tenham um problema semelhante.
Onde posso encontrar clientes em Portugal?
Podes utilizar prospeção direta, recomendações, empresas locais e plataformas como a Zaask. A Zaask continua em 2026 a ligar profissionais e clientes em Portugal em múltiplas categorias de serviços.
E clientes estrangeiros?
Plataformas internacionais como a Upwork permitem a freelancers portugueses candidatar-se a projetos de clientes internacionais.
Preciso de pagar para encontrar clientes?
Não obrigatoriamente. É possível começar através de rede de contactos, prospeção direta e portefólio próprio sem publicidade paga.
Preciso de website?
Não obrigatoriamente para conseguir o primeiro cliente. Precisas sobretudo de uma forma simples de mostrar o teu trabalho e ser contactado.
Devo trabalhar gratuitamente?
Uma pequena amostra pode ajudar comercialmente, mas trabalhar durante longos períodos gratuitamente não é necessário para construir uma atividade sustentável.
Quantos clientes preciso para ganhar 1.000€ por mês?
Depende do preço. A 250€ mensais seriam quatro clientes; a 500€, dois. Estes são valores de faturação, não rendimento líquido.
É melhor Zaask ou Upwork?
Depende do serviço e do mercado que procuras. A Zaask está especialmente orientada para contratação de profissionais em Portugal; a Upwork dá acesso a um mercado internacional de trabalho freelance.
Como conseguir avaliações se nunca trabalhei para ninguém?
Primeiro cria trabalho demonstrável. Quando conseguires o primeiro cliente real e concluíres o serviço satisfatoriamente, pede autorização para utilizar o projeto e solicitar um testemunho.
Quantas mensagens devo mandar por dia?
Não há um número obrigatório. Para um iniciante, três contactos realmente personalizados e relevantes todos os dias podem ser muito mais úteis do que dezenas de mensagens genéricas.
Conclusão
Conseguir o primeiro cliente não exige necessariamente:
milhares de seguidores, publicidade, um website caro ou anos de experiência.
Exige sobretudo:
uma oferta clara + prova de que consegues executar + contacto com pessoas que precisam dela.
Se começasses hoje, eu faria isto:
escolhia um único serviço; criava três exemplos; identificava 30 potenciais clientes; fazia três abordagens por dia e repetia durante um mês.
Depois analisava os resultados.
Se ninguém responde, melhorava a abordagem.
Se pedem preços mas não compram, melhorava a proposta.
Se começam a comprar, recolhia testemunhos e tentava transformar projetos pontuais em relações recorrentes.
O objetivo não é acertar tudo à primeira.
É construir um processo que possa ser repetido.
Porque o momento em que sabes encontrar clientes deixa de ser apenas:
“Tenho uma competência.”
e passa a ser:
“Tenho uma forma de transformar esta competência em rendimento.”


