Atualizado em agosto de 2026
Entrar no ensino superior é uma excelente notícia.
Mas, depois da euforia da colocação, costuma aparecer rapidamente uma pergunta menos agradável:
Quanto vai custar realmente estudar na faculdade?
Para quem fica a estudar perto de casa, a resposta pode ser relativamente simples.
Para um estudante que precisa de mudar de cidade, arrendar um quarto, pagar alimentação, deslocações, propinas e material, a diferença pode chegar a várias centenas de euros por mês.
E o ano letivo 2026/2027 traz novidades importantes nos apoios aos estudantes, incluindo uma nova bolsa de incentivo de 1.075 euros, alterações relacionadas com o alojamento e um calendário excecional para candidatura às bolsas de estudo.
Se acabaste de saber que foste colocado, este é o momento certo para fazer as contas antes de assinares um contrato de arrendamento ou comprometeres o orçamento familiar.
Foste colocado na 1.ª fase? As próximas decisões acontecem muito depressa
O calendário oficial prevê a divulgação dos resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior a 23 de agosto de 2026.
Os candidatos colocados entram depois no período de matrícula e inscrição, a partir de 24 de agosto.
Isto significa que, em poucos dias, muitas famílias têm de decidir:
- se o estudante fica em casa ou muda de cidade;
- onde vai morar;
- quanto pode pagar por um quarto;
- como vai financiar as despesas mensais;
- se tem direito a bolsa;
- que apoios adicionais pode pedir.
O pior momento para fazer estas contas é depois de assumir despesas que o orçamento não consegue suportar.
A primeira coisa a fazer: verificar se tens direito a bolsa
As bolsas de estudo destinam-se a estudantes do ensino superior público ou privado com menores recursos financeiros e são, em regra, pagas mensalmente ao longo do ano letivo.
E há uma alteração importante em 2026/2027.
Excecionalmente neste ano letivo, o prazo geral de candidatura decorre entre:
14 de agosto e 2 de outubro de 2026
Se a inscrição ocorrer antes de 2 de outubro, existe ainda a regra dos 20 dias úteis para apresentação do requerimento nas situações previstas.
Portanto:
Não esperes por setembro para começar a tratar da bolsa.
Se tens possibilidade de beneficiar, trata do processo o mais cedo possível.
Nova Bolsa de Incentivo de 1.075€: quem pode receber?
Esta é provavelmente uma das novidades mais interessantes para quem entra agora no ensino superior.
No ano letivo 2026/2027 começa a ser aplicada uma Bolsa de Incentivo no valor de 1.075 euros.
Destina-se a estudantes beneficiários do:
1.º escalão do abono de família
No primeiro ano de matrícula, a atribuição prevista é automática.
Nos anos seguintes, a continuidade deste incentivo fica dependente do desempenho académico, nomeadamente de o estudante se encontrar entre os 25% com classificações finais mais elevadas no ano anterior.
Ou seja, se estás a entrar agora pela primeira vez no ensino superior e pertences ao primeiro escalão do abono de família, este é um apoio que convém conhecer imediatamente.
Atenção: o novo sistema de bolsas não entra todo em vigor já este ano
Este detalhe é muito importante.
Quando a reforma da ação social foi inicialmente anunciada, estava prevista uma alteração bastante profunda do cálculo das bolsas.
Entretanto, o Governo decidiu fazer uma implementação faseada.
Em 2026/2027 entram já algumas medidas, nomeadamente a nova Bolsa de Incentivo e alterações relacionadas com o alojamento.
A implementação integral do novo modelo de cálculo das bolsas ficou prevista para 2027/2028.
Portanto, cuidado com artigos antigos ou publicações nas redes sociais que afirmem que todas as novas regras inicialmente anunciadas já se aplicam integralmente em setembro de 2026.
E se precisares de mudar de cidade?
Aqui está normalmente a maior despesa.
Um estudante pode conseguir controlar:
- alimentação;
- material;
- lazer;
- algumas deslocações.
Mas a renda de um quarto representa frequentemente uma despesa fixa difícil de reduzir depois de o contrato estar assinado.
Por isso, antes de escolher alojamento, calcula o custo total, não apenas a renda.
Imagina este exemplo:
| Despesa mensal | Exemplo |
|---|---|
| Quarto | 350€ |
| Alimentação | 180€ |
| Propina/reserva para propina | 70€ |
| Água/luz/internet não incluídas | 40€ |
| Material académico | 20€ |
| Higiene/lavandaria | 25€ |
| Lazer/imprevistos | 50€ |
| Total | 735€ |
Este não é um preço médio oficial.
É simplesmente um orçamento exemplificativo para mostrar como um quarto anunciado por 350€ pode transformar-se facilmente numa despesa mensal superior a 700€ quando acrescentamos o resto.
Faz três simulações antes de escolher alojamento
Se estás a procurar quarto, experimenta fazer contas com três valores.
Cenário A: quarto de 300€
Se todas as restantes despesas totalizarem 350€:
300€ + 350€ = 650€/mês
Cenário B: quarto de 400€
400€ + 350€ = 750€/mês
Cenário C: quarto de 500€
500€ + 350€ = 850€/mês
Num ano académico de dez meses, a diferença entre pagar 300€ e 500€ de renda representa:
2.000€
É por isso que escolher o alojamento é uma das decisões financeiras mais importantes de um estudante deslocado.
Estudantes bolseiros deslocados têm apoio ao alojamento
O sistema de ação social prevê apoio específico para estudantes bolseiros que necessitem de viver fora da sua residência habitual.
Os estudantes bolseiros deslocados mantêm prioridade no acesso às residências académicas. O Governo anunciou também para 2026/2027 um reforço do financiamento associado às camas ocupadas por estudantes bolseiros.
Existem igualmente mecanismos de complemento para alojamento fora das residências, sujeitos às respetivas condições e à apresentação de comprovativos da despesa.
Uma regra especialmente importante:
Guarda contrato e recibos.
Pagar um quarto informalmente, sem documentação, pode criar problemas não apenas com o senhorio, mas também quando precisas de comprovar a despesa para efeitos de determinados apoios.
“Não sou bolseiro. Não tenho direito a nenhum apoio de alojamento?”
Não necessariamente.
Existe também um regime de complemento de alojamento para determinados estudantes deslocados não bolseiros, desde que cumpram as condições previstas, incluindo limites de rendimento.
Para beneficiar deste mecanismo é necessário, entre outras condições, ter requerido previamente bolsa de estudo e apresentar comprovativos do alojamento.
Por isso, uma rejeição da bolsa não significa automaticamente que devas desistir de verificar os restantes apoios.
Tens menos de 24 anos? Não ignores o passe gratuito
Esta pode ser uma poupança mensal bastante relevante.
A gratuitidade do passe jovem continua disponível para jovens até aos 23 anos, inclusive, independentemente de serem ou não estudantes.
Para um estudante que utiliza transportes públicos todos os dias, isto pode retirar uma despesa importante do orçamento mensal.
Portanto, antes de incluíres 30€, 40€ ou mais em transportes no teu orçamento:
confirma primeiro se estás abrangido pelo passe gratuito jovem.
Quanto dinheiro deves ter disponível antes de mudar para outra cidade?
Não olhes apenas para a primeira renda.
Imagina um quarto de 400€.
Podes ter de suportar inicialmente:
| Despesa inicial | Exemplo |
|---|---|
| Primeira renda | 400€ |
| Caução | 400€ |
| Material para o quarto | 80€ |
| Primeiras compras alimentares | 100€ |
| Material académico | 60€ |
| Pequenos imprevistos | 60€ |
| Total inicial | 1.100€ |
E ainda nem chegámos ao mês seguinte.
É precisamente por isso que bolsas, residências, apoios e planeamento devem ser tratados antes da mudança, sempre que possível.
Antes de assinar um quarto, pergunta estas 8 coisas
Não escolhas apenas pela fotografia.
Confirma:
- A renda inclui água?
- Inclui eletricidade?
- Inclui gás?
- Inclui internet?
- Existe caução?
- Existe contrato?
- Recebes recibo?
- Quanto tempo demoras realmente até à faculdade?
Um quarto 50€ mais barato pode deixar de ser barato se implicar mais despesas ou duas horas de deslocações por dia.
Podes trabalhar enquanto estudas?
Sim, e para muitos estudantes o trabalho parcial é uma forma de reduzir a dependência financeira da família.
Mas é importante fazer contas antes de assumir demasiadas horas.
Por exemplo:
10 horas por semana × 4 semanas = 40 horas/mês
Se esse rendimento permitir suportar alimentação ou parte da renda, pode fazer uma diferença grande.
O problema aparece quando o número de horas de trabalho começa a comprometer o próprio curso.
O objetivo deve ser usar o rendimento extra para tornar os estudos sustentáveis, não transformar a faculdade numa atividade secundária.
Quanto deve a família conseguir suportar por mês?
Em vez de perguntar:
“Conseguimos pagar a faculdade?”
faz esta pergunta:
“Qual é o valor mensal máximo que conseguimos transferir sem criar problemas no orçamento familiar?”
Imagina que a família consegue contribuir com:
350€/mês
e o estudante estima gastar:
700€/mês
Existe um défice mensal de:
350€
Agora já tens um problema concreto para resolver.
Esse valor pode ser reduzido através de:
- bolsa;
- apoio de alojamento;
- residência universitária;
- passe gratuito;
- trabalho parcial;
- quarto mais barato;
- redução de outras despesas.
Fazer esta conta é muito mais útil do que simplesmente esperar que “vá dando”.
A bolsa de 1.075€ paga um ano de faculdade?
Não.
Mas pode eliminar algumas das despesas mais pesadas no momento da entrada.
Por exemplo, 1.075€ podem teoricamente cobrir:
- caução;
- primeira renda;
- material académico;
- primeiras despesas de instalação.
Ou podem ser guardados e divididos ao longo do ano.
Se dividires:
1.075€ ÷ 10 meses = 107,50€/mês
Não é suficiente para financiar sozinho um estudante deslocado.
Mas 107,50€ por mês pode representar uma ajuda significativa para uma família com orçamento apertado.
Candidatura à bolsa: prepara estes dados
O serviço oficial indica que o processo pode exigir informação relativa às pessoas do agregado familiar, incluindo elementos como:
- NIF;
- NISS;
- informação sobre contas bancárias;
- depósitos;
- certificados de aforro;
- ações;
- obrigações;
- PPR e outros patrimónios mobiliários relevantes.
Preparar previamente estes elementos pode tornar o preenchimento muito mais simples.
Não deixes a candidatura para o último dia
Em 2026/2027 o prazo geral excecional vai de 14 de agosto a 2 de outubro.
É possível existirem situações em que o requerimento possa ser apresentado posteriormente, mas a bolsa pode passar a ser calculada proporcionalmente ao período restante do ano letivo.
Portanto, se tens possibilidade de ter direito:
trata disso cedo.
Checklist financeiro para o estudante colocado
Assim que souberes onde foste colocado:
- confirma o prazo de matrícula;
- verifica as propinas e taxas da instituição;
- candidata-te à bolsa se fores elegível;
- verifica se tens direito à nova Bolsa de Incentivo;
- candidata-te a residência académica se fores deslocado;
- pesquisa alojamento privado apenas com orçamento definido;
- confirma o passe gratuito jovem;
- faz um orçamento mensal realista;
- cria uma reserva para despesas iniciais;
- guarda contratos, recibos e comprovativos.
Este trabalho pode parecer exagerado durante uma semana que já é cheia de decisões.
Mas pode evitar milhares de euros de despesas mal planeadas ao longo do curso.
Perguntas frequentes
Qual é a nova bolsa de 1.075€?
É a Bolsa de Incentivo prevista para 2026/2027, destinada aos estudantes beneficiários do primeiro escalão do abono de família. No primeiro ano de matrícula, a atribuição está prevista de forma automática.
Todos os estudantes recebem 1.075€?
Não. O apoio tem critérios específicos, nomeadamente estar abrangido pelo primeiro escalão do abono de família.
Até quando posso candidatar-me à bolsa de estudo em 2026?
Excecionalmente para 2026/2027, o período geral indicado pela DGES decorre de 14 de agosto a 2 de outubro, sem prejuízo das regras específicas aplicáveis aos 20 dias úteis e às candidaturas posteriores.
Posso pedir bolsa antes de me matricular?
Os candidatos ao Concurso Nacional de Acesso podem apresentar o requerimento antes do ingresso e inscrição nas condições indicadas pela DGES.
Tenho direito a alojamento por ser bolseiro?
Os estudantes bolseiros deslocados têm prioridade nas residências académicas e podem existir complementos de alojamento nas condições previstas.
O passe é gratuito apenas para estudantes?
Não. O regime atualmente em vigor abrange jovens até aos 23 anos, inclusive, independentemente de estarem ou não a estudar.
Conclusão
Entrar na faculdade não deve significar entrar às cegas num conjunto de despesas.
Se foste colocado em 2026, antes de assinares um quarto ou começares a comprar tudo o que achas que vais precisar:
faz as contas.
Começa pela bolsa.
Verifica a nova Bolsa de Incentivo de 1.075€ se estás no primeiro escalão do abono de família.
Se fores deslocado, analisa residência e apoios ao alojamento.
Se tens até 23 anos, verifica o passe gratuito.
E só depois calcula quanto realmente falta por mês.
Porque uma diferença aparentemente pequena de 100€ mensais representa:
1.000€ num ano académico de dez meses.
Planeares agora pode fazer uma diferença enorme no orçamento familiar durante todo o ano letivo.



